Todos temos uma história
- Stephanie J. Tassoulas

- 19 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de jun. de 2020
Antes de você iniciar essa leitura já começo dizendo que ela é uma daquelas reflexões que preenchem nossos corações e não devem ficar guardadas, sabe?! Por isso decidi compartilhar. Tem a ver com história? Sim. Mas tem muito mais conexão com a vida em geral.
Durante essa quarentena tenho tido a oportunidade de trabalhar com os conteúdos históricos para os Anos Iniciais e uma das coisas mais legais dessa fase de aprendizagem é a relação da história com a vida pessoal de cada criança. É o momento de aprender sobre a história pessoal, da família, do bairro, da cidade e do país. O famoso “eu, outro e nós”. Mas com o passar do tempo e dos anos letivos, vamos nos distanciando desse sentido da história mais pessoal, sabe? E aí para muitos a História se torna apenas a matéria do colégio e para alguns outros, como o meu caso, se torna a profissão.
Um exercício que gosto de fazer é o de retorno para aquela história de quando somos crianças. Quantas descobertas e quantos sentidos para a História são desenvolvidos, não é mesmo?! Ela ganha um lugar especial em nosso coração, um momento em que descobrimos mais de nós mesmos e daqueles que nos cercam, deixando um pouco de lado a história dos grandes figurões que nos acompanham no resto dos anos letivos.
Ao estudar os diferentes conteúdos históricos eu sempre me pergunto como cada indivíduo reagiu ao momento. Como que isso refletiu em sua vida pessoal? Como era a vida cotidiana? No que trabalhavam? O que comiam? O que vestiam? E por aí vai...A lista de perguntas é extensa e isso pode ser um grande disparador para as pesquisas históricas envolvidas com a História Cultural, que busca compreender os indivíduos em sua unicidade.
Gosto de revisitar algumas indagações dos meus alunos dos Anos Finais que ao estudarem sobre a Grécia, por exemplo, me questionam incansavelmente sobre como as pessoas viviam, como se alimentavam, o que faziam no tempo livre e principalmente como as mulheres não se rebelavam em um sistema que não as permitiam nem ir ao mercado/ágora sozinhas. Percebo uma constante busca em aproximar os conteúdos distantes a sua realidade. Encontrar semelhanças entre as diferentes sociedades e entender as diferenças que os separam. E dessa forma trazer um sentido da história para a sua vivência.
E é isso né. O fazer histórico acontece em nosso cotidiano antes de se tornar o assunto estudado nas salas de aula. Todos somos sujeitos históricos, com enredos lindos, criativos e diferentes entre si. Cada um com uma história singular e única. Ninguém nunca viveu a sua história e nem viverá. Ela é totalmente sua e fará parte da macro história da sua cidade, país e do planeta.
Depois desse texto bem reflexivo (te disse que seria assim), quero te convidar a voltar para os conteúdos dos Anos Iniciais, que são essenciais para a vida. Aproveite o final de semana para fazer algumas coisas. Lembre-se de quem você é, da sua história única e da sua família diferente. Como eu sempre falo para os pequenos do 1º ano, imagina que chato seria se as famílias fossem iguais?! Revisite as fontes históricas que sua casa te oferece: suas fotos antigas, os bilhetinhos guardados, os diários esquecidos. Faça entrevistas com seus avós e descubra sobre o passado deles. Realize o seu fazer histórico. E se lembre que a história acontece todos os dias e que ela não é somente feita pelos grandes figurões. Ela é feita por pessoas normais, assim como eu e você.

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